3.6.10
__THE END
26.12.08
Festa de Passagem de Ano!

400 M2 + 3 djs + BAR ABERTO = 15€
Rua Miguel Bombarda, 524
www.festasdemiguelbombarda.blogspot.com
Festa de passagem de ano: 3 djs + 400 m2 + Bar aberto = 15€ (20€ sem flyer/convite/e-mail)
Rua Miguel Bombarda 524 (c/ Rua Adolfo Casais Monteiro) - ver mapa!
Depois das festas da casa da Ribeira, desta vez, uma antiga garagem/tipografia com mais de 400m2 em Miguel Bombarda. Uma rampa, um elevador, dois bares, vários espaços, trés djs. Uma oportunidade única de estar longe dos sítios do costume, num espaço totalmente inédito no Porto e numa festa totalmente diferente.
+++++
* Festa de angariação de fundos para um projecto cultural ligado à arquitectura na cidade do Porto! Todas as receitas reverterão para o financiamento deste projecto! O projecto prevê a criação de um espaço físico permanente de discussão e de acção englobando a arquitectura, a cidade e cultura urbana. Pretende-se criar um espaço com uma programação continua e activa, com diversas iniciativas e eventos de forma a criar um processo continuo de interesse e reflexão sobre a cidade e sobre a arquitectura, promovendo uma cultura urbana cada vez mais dinâmica
http://www.festasdemiguelbombarda.blogspot.com/ http://www.opozine.blogspot.com/ opo.zine@gmail.com
1.12.08
Encerrado para obras
Até lá podem ir revendo alguns dos melhores momentos deste primeiro ano de actividade!
Obrigado a todos os que têm vindo a seguir o opozine!
will be back!
opozine
30.9.08
Porto Redux - O Mercado do Bolhão

O Porto Redux pretendeu, em três sessões temáticas, e partindo do exemplo do Mercado do Bolhão: (1) Compreender as novas dinâmicas urbanas da cidade; (2) Compreender a importância da reabilitação urbana no desenvolvimento da cidade; (3) Enquadrar o papel dos arquitectos e das escolas de arquitectura nesse processo de transformação.
Contou com a presença de muitos actores fundamentais desses processos, entre eles, os professores Álvaro Domingues e Rio Fernandes, o Dr. Rui Moreira, os arquitectos Souto de Moura, Nuno Portas e Correia Fernandes. Geógrafos, Economistas, Arquitectos, Urbanistas que tentaram perceber o que é, e o que pode ser a cidade contemporânea. Mas também, quais são as novas dinâmicas emergentes que geram os traçados voluptuosos e invisiveis das novas metropoles. Mostrando simultaneamente que a actividade da arquitectura não se esgota nos limites interiores das paredes da casa, mas é uma área fundamental para pensar e desenhar a cidade.
Tentando ser o mais possivel sintético e essencial gostaria de deixar aqui no Baixa do Porto (e também no opozine, no porto.redux e no CCRE) ao longo das próximas duas semanas os contributos de alguns intervenientes no Seminário. Mas também, e isto parece-me o mais importante para o debate que se está a gerar em redor do Bolhão, apresentar aqui as propostas realizadas pelas quatro equipas de alunos e professores no Workshop Porto Redux.
As propostas coordenadas pelos arquitectos André Eduardo Tavares, Camilo Rebelo, Filipa Guerreiro + Tiago Correia, Nuno Brandão Costa e Tiago Coelho, foram realizadas por estudantes da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP); alunos do Mestrado em Arte e Design para o Espaço Público (MADEP - FBAUP); e alunos do Departamento de Arquitectura da Universidade Lusíada. Pretendeu-se reflectir sobre o Mercado do Bolhão no seu contexto iminentemente urbano, cultural, sociológico e histórico, propondo programas, estratégias, que permitam recuperar não apenas a sua forma, mas também, o seu conteúdo simbólico e urbano - a sua marca na cidade.
Penso que o trabalho produzido nos quatro dias de workshop e a discussão produzida nas três sessões do seminário foram da máxima importância. Não apenas para nos libertar de algumas ideias tradicionalmente pré-concebidas, mas também, para percebermos que existem soluções rentáveis e criativas. E que, provavelmente, as soluções mais rentáveis serão as mais criativas. Acabou o tempo do isto é isto e aquilo é aquilo, das certezas absolutas, dos programas fixos e das estratégias demasiado formalistas. Nestes tempos onde tudo (até no Porto) muda demasiado rapidamente, ganharão as propostas e as ideias que apostam na diversidade e na flexibilidade, que apostam nos programas criativos (não necessariamente arrojados) e que apostam e constroem estratégias meta-urbanas e, não apenas, localistas. Que vêem para além das paredes que limitam os edíficios, como, de certa maneira, diz o Arquitecto Nuno Portas no texto que serviu de mote à segunda sessão do Seminário. Texto que aliás propunha que fosse o primeiro desta série de releases que o Porto Redux apresenta, a partir de amanhã.
Espero que este seja um contributo essencial para esta discussão, mas também, para toda a discussão em volta da cidade, para toda a discussão acerca daquilo que o Porto é, e poderá ainda ser.
Com os melhores cumprimentos
Pedro Bismarck
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17.9.08
PORTO REDUX - NUNO GRANDE

Debater criativamente a cidade: a experiência Porto Redux
Nuno Grande
As cidades são hoje o palco central da criatividade, sendo, simultaneamente, o seu alimento e o seu reflexo. Por este facto, muito se vem debatendo sobre “cidades criativas” e sobre a importância das suas “comunidades de criadores e boémios”, para pegarmos num chavão caro ao economista e ensaísta americano Richard Florida, um dos principais “gurus” desta actualíssima reflexão[1].
Em Portugal, só muito recentemente se começou a aflorar a problemática, quase sempre através do interesse despertado no seio de universidades e instituições culturais; quase nunca a partir de políticas estruturantes, de origem estatal ou municipal, lançadas nesse sentido. Dir-se-ia, a bem da verdade, que a criatividade deve ser, por natureza, livre e espontânea, não-decratada, não-regulada, não-instrumentalizada; mas, no entanto, se ela emerge, se ela se potencia, se ela se dissemina, cabe às cidades perceber o seu progressivo impacto nas respectivas economias urbanas, criando os necessários “rastilhos” para que a sua energia e o seu efeito propagador não esmoreça.
Enquanto capital cosmopolita do país, Lisboa vem concentrando muitos desses escassos “rastilhos” políticos, alimentando projectos em fase embrionária, apoiando encontros e festivais independentes que teimam em não desaparecer, combinando eventos de forma sinérgica, ou mesmo integrando iniciativas individuais noutras de índole institucional. No Porto, e deixando de lado a já estafada discussão sobre o “síndrome da segunda cidade”, a verdade é que, desde o início da década, vive-se uma certa letargia no apoio e na mobilização da massa crítica e criativa que sobreviveu à previsível “ressaca” gerada pelo “fim de festa” da Capital Europeia da Cultura, e pela sequente eleição municipal de Dezembro de 2001.
Neste contexto, a criação cultural emergente do Porto tem-se evidenciado, sobretudo, por “reacção” política, o que, sendo recorrente na história da cidade, produz uma mútua e insanável desconfiança entre a sua “comunidade de criadores e boémios” – para voltarmos a Richard Florida – e o actual executivo autárquico. Este vem encetando uma política de retracção do seu investimento financeiro do seio das empresas municipais e dos equipamentos culturais herdados, em prol da sua alienação ou concessão à gestão e ao patrocínio privados, numa perspectiva de filiação mais neo-liberal do que social-democrata. No mesmo sentido, as acções municipais de maior visibilidade pública – quase só apoiadas na importação “franchisada” de eventos sazonais temáticos – aproximam-se mais da lógica do entretenimento de massas, do que de uma programação cultural estruturada e segmentada.
Discutível, embora congruente com uma linha de pensamento assumidamente inflexível nesta área, esse desinvestimento municipal na cultura obliterou o protagonismo programático e interdisciplinar das estruturas intermédias da cidade – como são exemplos, o Teatro Municipal Rivoli ou a Galeria Municipal nos jardins do Palácio de Cristal – esvaziando um importante nível de incentivo que antes se situava, algures, entre os criadores emergentes e as grandes instituições consagradas da cidade – Museu de Serralves, Teatro Nacional de São João e Casa da Música. Como é expectável, e dada a sua natureza global, estas instituições não possuem vocação, nem mesmo obrigação, de suprir o desaparecimento desse nível intermédio local.

Por outro lado, e coincidindo com a “movida” urbana que convergiu na Capital Europeia da Cultura, um conjunto de galeristas de arte portuenses decidiu fixar-se num ponto incaracterístico da cidade consolidada – a Rua Miguel Bombarda – atraindo, para ali, além do seu tradicional negócio, outras iniciativas empresariais e associativas, na esfera da criação cultural, que acabariam por ser beneficiadas pela visibilidade pública obtida em dias de inauguração simultânea. O próprio município percebeu, mais recentemente, a importância dessa visibilidade, juntando o seu contributo logístico ao clima de “festa urbana”, crescente naquela artéria, e para a qual anuncia agora uma pedestrenização parcial. A fixação desse “clima” criativo partiu assim de iniciativas particulares e espontâneas, que souberam retirar partido, para lá dos aspectos comerciais inerentes, dos efeitos multiplicadores que a “economia da experiência” cultural pode trazer a uma cidade, onde pouco mais vem acontecendo neste âmbito – multiplicação que gera ou acompanha, inclusive, a disseminação de casos semelhantes, noutras artérias urbanas da Baixa, como na Cordoaria, nas ruas Cândido dos Reis e Galeria de Paris.
É pois possível afirmar que este “efeito Bombarda” vem sustentando a agregação da referida “comunidade de criadores e boémios” no centro do Porto, ocupando, paradoxalmente, esse nível intermédio de animação cultural que as políticas de âmbito municipal deixaram de acalentar. Mais: ao permitir que essa agregação se processe de modo informal e independente dos poderes públicos, esse efeito vem tornando este tecido criativo mais consciente do seu papel crítico e da sua capacidade de intervenção nas questões urbanas, como aliás acontece nalgumas iniciativas organizadas naquele âmbito.
É neste sentido que valerá aprofundar o exemplo da Porto Redux, uma plataforma pró-activa de debate e intervenção sobre a cidade, que articulou, ao longo dos últimos meses, um espaço da Rua Miguel Bombarda – a Oficina da Galeria Fernando Santos – com fóruns de discussão abertos na net – Opozine e Dédalo – e outros de cariz mais institucional como o Centro de Comunicação e Representação Espacial (CCRE) e o Mestrado em Metodologias de Intervenção no Património Arquitectónico (MIPA), todos eles gravitando em torno de professores e alunos da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP). Não sendo esta a primeira vez que a FAUP se disponibiliza para investigar e debater questões de política urbana, a mesma deu aqui, de forma particularmente criativa, o seu contributo para uma das mais recentes polémicas em torno da alienação de património urbano municipal – a proposta de concessão, à iniciativa privada, da transformação e gestão futura do conhecido Mercado do Bolhão, situado na Baixa portuense (projecto do arquitecto Correia da Silva de 1915).
Porto Redux: o debate
O debate, desenvolvido ao longo de três sessões, serviu-se daquele caso como pretexto para discutir, de forma abrangente, a relação entre cultura e património, entre permanências e emergências urbanas, ou ainda entre saberes e poderes em jogo na transformação da cidade, indagando que papel caberá à arquitectura nessa cíclica mediação. Como afirmava Pedro Bismarck, membro da organização, no texto de lançamento da iniciativa, “à arquitectura sempre coube essa tarefa de ir construindo, de medir, de servir de dispositivo e de relação essencial entre o homem e o seu meio ambiente, entre o homem e a sua cidade. E esse é um espaço que a arquitectura não deve deixar vago, não deve abdicar”.
Dos diversos temas disciplinares debatidos, destacaram-se, na primeira sessão, o papel simbólico do património urbano, por vezes transformado em mera “cenografia” turística, como bem demonstrou Álvaro Domingues, professor de Geografia Urbana na FAUP; ou como motivo de reflexão sobre a mobilidade e o acesso aos centros, como exemplificou Pedro Gadanho, arquitecto e docente na instituição, a partir da experiência “Auto-silos para Lisboa” realizada no âmbito da ExperimentaDesign; mas também, o tema da progressiva transformação higienista dos quarteirões do Porto, esventrados e refeitos num só gesto homogeneizador, através de projectos do tipo “chave-na-mão” ou “pronto-a-vestir”, como apontou Nelson França, economista e promotor da Chamartin Imobiliária; modelo ao qual se opôs Manuel Correira Fernandes, director do MIPA-FAUP, propondo, antes, uma reabilitação patrimonial criteriosa, participada e atenta à evolução diferenciada das frentes urbanas da cidade.
Na segunda sessão, Rui Loza, arquitecto da “Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana”, ainda que apoiado em exemplos anteriores às actuais políticas de reabilitação, defendeu a ideia de que o poder político não deve ficar refém do receio de reconverter o seu património histórico – fazendo a ponte com a polémica do Bolhão – ao que Alexandra Gesta, responsável pelo processo de renovação do Centro Histórico de Guimarães, retorquiu, ironicamente: será que estes edifícios sofrem, mesmo, de problemas de “disfuncionalidade” na cidade? Será que não sofrem de culpas que pertencem, afinal, aos homens? Que culpa tem o Mercado do Bolhão da falta de uma gestão eficiente? Ou de estacionamento? Ou de dinâmica empresarial?
O geógrafo Rio Fernandes abordou criticamente a progressiva “periferização” dos centros tradicionais pela introdução de políticas de promoção imobiliária, mais interessadas em atrair o capital privado do que em lançar critérios ponderados de reabilitação urbana, ao que Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, juntou a ideia de que o estabelecimento de parcerias público/privado na gestão de edifícios de valor patrimonial, não pode significar a demissão de responsabilidades por parte do detentor desse valor colectivo, nem a ausência de regras de jogo claras, no espaço e no tempo da sua concessão.
Na última sessão, Francisco Barata, Presidente do Conselho Directivo da FAUP e Pedro Leão Neto, docente e responsável do CCRE, criado naquela faculdade, defenderam a possibilidade de se reforçar o papel das instituições de formação e de investigação, na mediação entre a decisão política, a intervenção técnica e a recepção pública dos processos de transformação. Já o crítico e programador cultural Miguel von Haffe Perez mostrou-se descrente em relação aos efeitos dessa mediação entre poderes e cidadãos, dado não existir na Europa, como ocorre nos EUA, um espírito de responsabilidade cívica das instituições, na transformação das cidades onde se inserem. O arquitecto Eduardo Souto Moura encerraria este ciclo afirmando, de modo lapidar, que a grande questão está na ausência de uma clara cultura de cidade, de projecto, e mesmo de património, quer na legislação específica existente, quer na gestão quotidiana da maioria das autarquias portuguesas.
Pese embora a diferença dos contributos, o debate Porto Redux permitiu enquadrar o património urbano nas problemáticas que se colocam, hoje, a partir do caso do Mercado do Bolhão – salvaguardar ou reconverter; gerir ou alienar –, e que o arquitecto e urbanista Nuno Portas, professor catedrático da FAUP, sintetizou, de forma oportuna, num texto que enviou para debate:
“Estes programas são sujeitos a duas tentações extremas: a da continuidade temática a acompanhar o mimetismo físico ou, no outro extremo, a da mudança radical de programa, em geral por razões financeiras, que já são lugares comuns, e que transformam o existente numa espécie de caricatura, deixando alguns elementos do antigo como álibis envergonhados da mudança. Entre estes dois extremos, o conservador e o novo-rico-fantasista, há felizmente diversas composições de funções e linguagens dos espaços que podem trazer novidade à área consolidada, mas decadente, à sua volta.”
Ainda que não fosse sua intenção, este texto acabou por balizar as questões levantadas no workshop de arquitectura que se seguiu ao debate, no qual se ensaiaram, de novo a partir do caso do Bolhão, conceitos de reabilitação inerentes à realidade da própria Baixa portuense.


Corte proposto pela equipa de Nuno Brandão Costa + Nova cobertura proposta pela equipa de Tiago Coelho
Ao longo de uma semana, cinco equipas coordenadas por arquitectos e incluindo mestrandos e estudantes das escolas de Arquitectura e de Belas-Artes do Porto, conjugando outros contributos disciplinares por parte de geógrafos, historiadores, economistas e artistas, trabalharam no sentido de ultrapassar essa dicotomia que, no debate ainda em curso, opõe duas posições, aparentemente inconciliáveis: a que aposta na manutenção da actual estrutura física do Mercado do Bolhão, tendendo a defender o projecto de reabilitação do edifício ganho em concurso público, em 1992, pelo arquitecto Joaquim Massena; e a que aposta na conversão integral do edifício, numa estrutura comercial, do tipo shopping, com base na proposta apresentada pela TranCroNe (TCN), única empresa que se submeteu ao recente concurso do tipo “concepção-construção-gestão”, lançado pelo actual município.
Não querendo optar à partida, nem pelo “conservadorismo”, nem pelo “novo-riquismo-fantasista” – para voltarmos às designações de Nuno Portas –, aquelas cinco equipas preferiram procurar, especulativamente, as razões da necessária mudança, na história do próprio edifício, nela incorporando ainda as transformações geradas pelas dinâmicas urbanas contemporâneas.
Os projectos, de carácter exploratório, agora apresentados, situam-se, assim, entre: a proposta de demolição do actual Mercado do Bolhão, substituindo-o por um edifício onde o conceito de “troca” mercantil se expande para o de “interface” de pessoas, ideias, bens ou mesmo de valores bolsistas – proposta da equipa de Camilo Rebelo, que exaspera assim, radicalmente, a ideia de conversão multi-funcional proposta pela TCN –; e o restauro do projecto original, do elegante mercado que Correia da Silva desenhou em 1915 (entretanto deturpado), onde se inclui a cobertura integral do edifício por uma estrutura em ferro e vidro, libertando o interior de alpendres, telões e passadiços – proposta da equipa de Nuno Brandão Costa, que exaspera, pelo contrário, “um recuo no tempo das formas para alcançar o charme perdido”.
Apesar de estarem, formalmente, nos antípodas um do outro, estes projectos assumem, em comum, a importância dos actuais fluxos pedonais na Baixa portuense, que Camilo Rebelo estende até uma cobertura ajardinada – criando uma horta urbana colectiva –, e Nuno Brandão Costa até ao subsolo, onde propõe um novo e amplo piso comercial em forte conexão com a estação de Metro ali projectada por Eduardo Souto Moura.
Entre estes dois extremos, colocam-se os restantes três projectos, apostando, antes de mais, em manter o edifício existente, na sua estrutura e funcionalidade de base, e potenciando novas relações de uso e de acesso entre os principais níveis do Mercado – os da Rua Formosa, Rua Sá da Bandeira e Rua Fernandes Tomás. Neste sentido, a equipa liderada por André Eduardo Tavares opera sobretudo ao nível do espaço central, “limpando-o” de múltiplos pavilhões e alpendres acrescentados ao projecto original, de forma a torna-lo num “terreiro urbano” (literalmente em saibro), onde a função de mercado sazonal pode ocorrer (como nos antigos rossios) com outras actividades culturais ao “ar livre”. Lembra, também por isso, uma espécie de “Plaza Mayor”, repentinamente aberta no coração do denso tecido portuense.
Outra proposta, da equipa de Filipa Guerreiro e Tiago Correia, tira partido das ruas longitudinais, geradas pelos sucessivos pavilhões interiores, juntando-as e ligando-as, num dos topos, através de uma nova tessitura “urbana” formada por escadas e rampas pedonais. Através destas, acede-se a uma plataforma intermédia, à cota da Rua Sá da Bandeira, dentro da qual instalam uma “loja-âncora”, catalisadora de novos usos comerciais, e sobre a qual propõem a realização de eventos culturais e feiras temporárias temáticas, destinadas a demais tipos de comércio e de público visitante.
Finalmente, o projecto coordenado por Tiago Coelho retoma a ideia de cobrir integralmente o centro do Bolhão por uma estrutura “leve” e translúcida, ao mesmo tempo que liberta e regulariza esse núcleo interior para usos diversos lúdico-culturais, a partir de contentores móveis destinados a espectáculos musicais e performativos. É nesta nova cobertura central, expressivamente ondulante, que o projecto assume a sua “marca” de contemporaneidade, em contraste com o carácter telúrico da fachada e a linearidade da cobertura existente.
Como referimos, todas estas propostas aprenderam com o debate e a experiência em torno das dinâmicas que ocorrem no Porto contemporâneo, centrando-se sobre os três níveis que podem ligar o Mercado do Bolhão a uma vivência mais integrada no quotidiano urbano – o subsolo, a partir da presença do Metro; a “pátio” central, enquanto espaço de atravessamento e de estadia de peões; e a cobertura, ou “quinto alçado” do edifício, aqui explorada na sua potencialidade formal.
Deste modo, estes projectos provam que um conceito de reabilitação urbana pode começar, não na defesa “respeitosa” e neutral das características patrimoniais dos edifícios, mas no grau de transformação que sobre eles seja possível imprimir, desde que avaliada a sua integridade matricial e simbólica. No entanto, estas propostas não se resumem à transformação do hardware do Mercado do Bolhão; avançam até ao software, isto é, até à necessidade de encontrar um conceito de programação – personificado na ideia de um gestor ou de uma equipa de programadores culturais – que “injecte”, neste simbólico lugar, a imaginação criativa que parece faltar ao projecto apresentado como solução pelo município – o shopping center proposto pela TranCroNe.
Revitalizar o Bolhão não pode passar pela substituição da sua actual “mono-funcionalidade” mercantil, por uma futura “mono-funcionalidade” comercial, sob pena de nada mudar no centro do Porto. Aprenda-se, por isso, com o fenómeno das ruas Miguel Bombarda, Cândido dos Reis e Galeria de Paris e estenda-se a “cartografia criativa” da cidade até ao Bolhão, enchendo-o de novos espaços dedicados à produção e à difusão cultural, portas meias com o quotidiano de um mercado; misture-se, assim, informalmente, ateliers, galerias, residências artísticas, lojas de design, de música, bares e restaurantes temáticos, com as frutarias, as peixarias, os talhos, as bancas das flores, dos queijos e dos enchidos, potenciando, afinal, a vocação profundamente cosmopolita deste “edifício-cidade”, também fomentada pela sua forte atractividade turística.
Da experiência Porto Redux nasceu assim a ideia de um novo “efeito Bolhão”, que pode e deve ser agarrada politicamente, como um “rastilho” para a afirmação de uma cidade mais criativa. Os criadores e os boémios agradeceriam; a economia da cidade também.
+++ Nuno Grande
Nuno Grande (1966) é arquitecto e docente universitário. Lecciona as disciplinas “Projecto V” no Departamento de Arquitectura, na Universidade de Coimbra (DARQ/FCTUC) e “Urbanística Contemporânea”, na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP). Escreve em revistas da especialidade e prepara a sua Tese de Doutoramento pela Universidade de Coimbra, sobre a relação entre Políticas e Espaços Culturais. Foi convidado a moderar os três debates da iniciativa Porto Redux.
[V] Retratos para um sedutor ou o Demolidor de Retratos
Breaking News : Bolhão
A Câmara Municipal do Porto anulou hoje a adjudicação das obras do mercado do Bolhão que tinha sido feita à empresa TramcroNe (TCN), foi hoje anunciado em reunião camarária.No passado dia 11 Rui Rio tinha afirmado que na próxima reunião de câmara, que ocorreu hoje, tudo ficaria esclarecido sobre o projecto a apresentar pela TCN para as obras a realizar no Bolhão.Mas hoje a decisão foi pela anulação da adjudicação.A solução inicial da TCN para o Bolhão previa a transformação do interior do mercado num espaço com sete pisos (sendo dois subterrâneos para estacionamento), um dos quais para habitação. A parte destinada ao comércio de frescos ocuparia uma parte do piso com entrada pela Rua de Fernando Tomás, desaparecendo completamente dos outros espaços.Depois de apresentar um anteprojecto, com um desenho virtual do Bolhão requalificado, a TCN foi confrontada, em conversações informais com os representantes do Igespar (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico), com a impossibilidade de aprovar um projecto com aquelas características.Desde então, a empresa tem trabalhado em ideias alternativas, mas, conforme confirma uma resposta escrita enviada ao PÚBLICO a 8 de Setembro, até essa data não tinha dado entrada qualquer projecto de reabilitação do Mercado do Bolhão na Direcção Regional de Cultura do Norte (que deve dar parecer favorável a um projecto antes de o remeter para o Igespar). Aquando da conferência de imprensa convocada para o passado dia 1 de Agosto, Lino Ferreira, vereador do urbanismo, avisou a TCN que, caso não assinasse o contrato no prazo de 30 dias, pediria a anulação da adjudicação do mercado, reteria a garantia bancária, de 250 mil euros, e avançaria com uma acção judicial contra a empresa.
16.9.08
Arquitectura - Apresentação do livro Casa da Música/Porto

12.9.08
User's guide - FIMP

Festival Internacional de Marionetas do Porto
Residencial da Praça
Praça D. João I
12 a 20 setembro
entrada livre
Macbeth [teCA] »20set
O Auto da Barca do Inferno [praça] #14set
Daydream – Work in progress [praça] #15+17 set
Sessão Dupla - cinema com marionetas [praça] #16set
A Visita do Rinoceronte [praça] #16+18 set
Déviations Marseillases 1 - Porto [praça] #18set
Lopin/Petites Âmes/Des Nouvelles des Vieilles [praça] #18set
11.9.08
Novos usos, velhos preconceitos - Botellón nos clérigos?

Dez empresários estiveram reunidos, a pedido da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto, entre os quais do Armazém do Chá, da Tendinha dos Clérigos, do Lusitano, do Plano B, da Casa do Livro ou do La Bohème. O proprietário da Galeria de Paris, bar que adoptou o nome da rua onde se encontra, faltou, apesar de principal alvo das críticas. Ali, há um balcão exterior a vender bebidas e centenas se concentram, até de madrugada, na via pública.
Além disso, cada vez mais pessoas, quando ali chegam, já trazem garrafas e outros vasilhames com álcool, diz a associação, temendo que a moda espanhola do "botellón" se instale no Porto. Porém, os protestos dos moradores estendem-se a outras ruas, como Cândido dos Reis, Conde Vizela, e outras artérias adjacentes.
Os bares acordaram em avançar com medidas "de forma a evitar a ocupação da via pública nos moldes em que está a ser praticada, com balcão de venda e/ou apoios ao exterior", disse, ao JN, o presidente da associação, António Fonseca. E prometeram "minimizar o ruído e a sujidade".
A associação ficou de contactar com a Galeria de Paris, admitindo avançar com "medidas drásticas junto da Câmara, forças policiais e entidades fiscalizadoras" se não houver receptividade.
A associação teme que a situação possa servir de "pretexto político" para fechar ou controlar os horários dos bares.
9.9.08
Black Box - Escadas de granito

E esta cidade começou por servir um porto de abrigo, resguardado do mar tempestuoso e capaz para grande navios, olhemos para as escarpas pétreas que mergulham nas águas do Douro. O porto era bom, a cidade cresceu, o Porto foi trepando pelas margens íngremes. Séculos depois, já não se via uma pequena povoação na margem direita do Douro, mas uma grande cidade.
Hoje quem pensa no Porto também pensa em Prelada, Foz, Antas. Mas onde tudo começou foi nas escarpas íngremes. As escadas de granito que vemos nestas imagens são como uma peça de DNA que tanto nos diz sobre esta cidade. A conquista da paisagem pelo Homem está aqui patente. Não podemos deixar de ocupar, pois somos humanos. Mas podemos decidir como queremos esta paisagem que criamos. Eu gosto destas escadas.
+Pedro Varela
7.9.08
Carnet de route - Índia: viii capítulos

E depois de Udaipur, o deserto (que se prolonga muito para além do outro lado dessa linha imaginária a que alguns chamam fronteira e que foi traçada há pouco mais de 50 anos). Do outro lado, o Paquistão. Aqui, somos nós no último reduto antes dessa extensa superfície de areia – Jaisalmer.
Existe algo nessas cidades que se constroem da cor da terra, da cor dos homens, da cor do tempo. O ocre domina a paisagem, entre os vermelhos, laranjas, azuis-turquesa, verdes, todos os verdes, desses tapetes, dessas roupas, desses olhares que nos interrogam por entre as ruelas labirínticas.
Cidade de comerciantes, de negócios, das grandes rotas do ópio e da seda, das especiarias. Entre a Europa e a China os caminhos percorriam-se por estas longínquas paragens. E da areia fina, como a areia de uma ampulheta, nasceu esta cidade, magnificamente trabalhada e construída pelas mãos mais delicadas, nessa luta derradeira contra o deserto.
Mas a cidade morre afogada, porque o excesso de captações de água com o aumento do turismo e de hotéis assim como os novos lagos artificiais, tem vindo a destruir as suas frágeis fundações. Demasiada água para uma cidade construída sobre essa ausência. Sobreviveu até hoje entre o calor abrasador e a areia, e assim sobreviverá, Jaisalmer, nome eterno da mais bela e desconhecida princesa do deserto. Tão bela quanto a minha imaginação. Jaisalmer existirá?
3.9.08
Daily Architecture in Porto
Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
22-24 setembro
1.9.08
News - O mercado, a câmara e a TCN [desenvolvimentos]
++ Câmara quer assinar contrato que prende TCN à ideia inicial [Público]
++ Bolhão: TCN convicta de que o contrato com a Cãmara do Porto será assinado "em breve" [JN]
++ Comissão de negociação criticou "lógica de centro comercial" da TCN concorrentes [Público]
++ TCN pronta a assinar contrato do Bolhão desde que exista uma "cláusula de conforto" [Público]
Mercado do Bolhão:
++ Porto Redux Releases 001*: Nuno Portas Em Alguns avisos politicamente (in)correctos, Nuno Portas fala sobre o Mercado do Bolhão e sobre políticas urbanas para os centros históricos
30.8.08
News - TCN pronta a assinar contrato do Bolhão desde que exista uma "cláusula de conforto" [Público]
A novela Bolhão prossegue com novos desenvolvimentos. É impressionante como é possível lançar um concurso público nestas condições. Entretando decorre a vida no mercado, perdem-se oportunidades e tempo. Aqui fica a notícia do Público:
Passou um mês, mas a posição da TramCroNe (TCN) não sofreu grandes alterações. No início de Agosto, o vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, Lino Ferreira, avisou a empresa à qual foi adjudicada a recuperação e exploração do Mercado do Bolhão que tinha 30 dias para assinar o contrato de concessão. Caso contrário, a câmara ameaça levantar a garantia bancária de 250 mil euros e processar a empresa. O prazo chega hoje ao fim e o responsável da TCN, Pedro Neves, reafirma: "Estamos prontos a assinar um contrato que inclua uma cláusula de conforto onde esteja definido que, caso a nossa proposta de base não possa ser executada, podemos desenvolver um projecto que respeite os princípios do desenvolvimento urbano sustentável".Trocando em miúdos: assinar contrato, sim, mas que não obrigue a cumprir a proposta inicial apresentada pela TCN. Até porque o Igespar (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) já deixou claro que não a aprovará. [ler artigo público]
27.8.08
Black Box - Bolas de Berliza [Replay]
No entanto, nas imediações do mesmo, há mais duas pérolas esquecidas para a maioria das pessoas que passam e mesmo para os empenhados turistas de arquitectura. Curiosamente para além de se encontrarem no mesmo quarteirão, têm algo de particular não só na sua localização relativa como também na sua função. O Bonjour Tristesse (ao centro na foto) faz o gaveto entre a Schlesischestrasse e a Falckensteinstrasse, as respectivas ruas dos outros dois edifícios que se encontram muito próximos, até visíveis a partir deste. O primeiro para quem vem do metro (à esquerda na foto) é um infantário e centro de dia e o segundo (à direita na foto) é um centro de idosos. O edifício de habitação ligado à vida activa faz assim a rótula entre o início da vida e os cuidados do seu fim.
Interessante será também compararmos o aspecto inicial e final dos edifícios, com particular atenção para o centro de idosos, onde as persianas exteriores e as pinturas exóticas lhe deram um novo ar. Não será de estranhar que nos passem despercebidos…
25.8.08
News - Chiado atirou decadência pela colina abaixo [Público]
24.8.08
22.8.08
News - Nova Praça de Lisboa ainda não passou da aprovação do estudo prévio pelo Igespar [Público]

O projecto foi anunciado na Câmara do Porto, em Fevereiro, com a indicação que a nova [Ler tudo]









