Após as primeiras vagas do Porto Redux e antes do workshop dedicado ao Bolhão, importa lançar algumas linhas de reflexão, acerca do que deverá ser o futuro do mercado... [mais]11.5.08
Bolhão Redux - monumentos do passado, monumentos para o futuro
Após as primeiras vagas do Porto Redux e antes do workshop dedicado ao Bolhão, importa lançar algumas linhas de reflexão, acerca do que deverá ser o futuro do mercado... [mais]29.3.08
Mercado do Bolhão num sábado de manhã
#As cidades são feitas daquilo que as distingue umas das outras. O Mercado do Bolhão é um desses sítios que anuncia e diz em voz cheia: Estamos no Porto!
14.2.08
Cityscope - Um pouco menos de silêncio!

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.News
#O Mercado do Bolhão vai manter a sua traça original? Não, o que o projecto propõe é uma demolição total do interior e a total reconfiguração de todos os espaços, reduzindo para ¼ a actual área do mercado. A cobertura, os pisos intermédios, as torres da habitação, e toda a demolição do programa interior, irão desqualificar a estrutura arquitectónica existente e retirar o seu pontencial urbano e turístico.
#Habitação? Sim, e não vai ser em número reduzido a ver pelos últimas informações. Queremos mais habitação para a Baixa, mas recuperando os milhares de imóveis abandonados espalhados pela baixa.
Caro Correia Araújo, o projecto para o mercado do bolhão levanta, quanto a mim, dois problemas: um problema de estratégia de cidade, de modelos urbanos, e, evidentemente, aqui cada um pode ter a sua visão pessoal. Eu penso que esta se constroi regenerando-se, reconstruíndo-se e não destruindo-se, provavelmente pensará de um outro modo. O outro problema: é uma questão de arquitectura. E neste ponto não restam grandes dúvidas, o projecto que a TCN nos deu a conhecer até agora é para qualquer arquitecto um mau projecto de arquitectura. Uma má hipótese de projecto e um desprezo total pela estrutura existente. Existem outras formas de rentabilizar, renovar e requalificar o mercado do bolhão sem que isso signifique a perda de um ícon histórico, urbano e cultural.
Encontrar esse equilíbrio é o papel do arquitecto. Mas em Portugal (ao contrário da Europa) o arquitecto é um ser estranho, é o tipo que nunca conseguiu ser engenheiro, metido no seu gabinete, faz umas casas estranhas. Despreza-se em Portugal (arquitectos incluídos e a sociedade em geral) a função interventiva destes na cidade, o seu papel social e cultural de mediador de interesses e construtor de soluções. Por isso, não ouvimos a Ordem, nem as suas secções regionais, nem os arquitectos no problema do Bolhão. Um pouco mais de ruído, um pouco menos de silêncio, é o que a cidade precisa.
*Pedro Bismarck [opozine]
5.2.08
Cityscope - Petição e afins: A cidade para quê?
Volto a referir que do meu ponto de vista e penso que daqueles que assinam esta petição, pretende-se, sobretudo, salvaguardar o interesse patrimonial, histórico e urbano do edifício. Requalificar o Bolhão sem que ele perca os seus aspectos mais atractivos: ser um Mercado e ser um ícon cultural e turístico - uma marca da cidade (e potencialmente bem rentável). É pura ilusão, pensarmos que vamos de facto resolver o problema da Baixa com um sem número de shoppings (âncoras como lhes chamam na CMP), e que isso é que é ser europeu e ser contemporâneo. Manter o Bolhão como está mas introduzir novas valências, nova lojas de produtos biológicos, pequenos restaurantes, estender a oferta, criar um polo de produtos "frescos" para portuenses e visitantes, mantendo a configuração actual do mercado. A solução do Bolhão já lá está, mas como diz o arquitecto Alexandre Burmester, parece ser difícil ser simples por aqui.
Não se trata de embirração (lá estão aqueles tipos sempre contra tudo...), a requalificação é necessária ninguém duvida. Trata-se sim do nosso dever de participar no projecto global daquilo que queremos que seja a nossa cidade. Uma cidade diversificada, renovada, competitiva, culturalmente atractiva, mas que mantenha os seus icons, o seu património, as suas tradições, a sua marca. Após o fracasso das décadas urbano-demolidores dos grandes planos da modernidade, percebeu-se que as cidades são corpos vivos, dinâmicos, activos, muitas vezes de génio improvável. Não são riscos num papel, nem cores num mapa, mas sim, substratos activos de coisas, de fluxos, de matérias, de tempo. A cidade não é apenas um aglomerado de casas, mas uma rede solidária de vontades, de projectos colectivos, elas são aliás, a história materializada desses projectos; o museu mais proficuo da nossa identidade, do nosso ser, daquilo que construímos, daquilo que ambiciona-mos e desejamos outrora. É este o potencial e a lição histórica das cidades e do Porto e por isso o nosso dever duplo de as sabermos construir mas também preservar.
Fica, o dever de participar e construir a nossa cidade e que este corpo diversificado e complexo não se transforme num simples projecto politico-económico de um qualquer.
*Pedro Bismarck [opozine]
PS. Para aqueles que mantêm as dúvidas aqui ficam alguns links para conhecer melhor o projecto da empresa TCN:
- O Bolhão e o projecto da TCN [opozine]
- Promotora diz que demolição do interior do Bolhão é uma "inevitabilidade" [JPN]
- Mercado do Bolhão [TCN]
2.2.08
Cityscope - O Bolhão? -Abertura de Petição contra a Demolição do Mercado do Bolhão
###############News
#Petição online: "Impedir a Demolição do Mercado do Bolhão do Porto" [assinar petição»]
#Mercado do Bolhão Abaixo-assinado contra entrega do equipamento a privados [SIC]
#Bolhão é viável [Primeiro de Janeiro]
# Dia 2 de Fevereiro, apartir das 10H, vai haver no Mercado do Bolhão um "Movimento de apoio aos comerciantes do Bolhão"da cidade do Porto. [manifestobolhão]
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30.1.08
User's guide - Bolhão?
IMPEDIR A DEMOLIÇÃO DO MERCADO DO BOLHÃO
MEDIDAS E ACÇÕES CÍVIVAS A DESENVOLVER
organizado pelo movimento cívico e estudantil.
21.1.08
Cityscope - O Bolhão num sábado de manhã
Sábado de manhã, fui ao Mercado. Para perceber determinadas coisas há que ir aos sítios, há que vê-los, compreendê-los. Quantas pessoas que por aí escrevem sobre o Bolhão foram lá nos últimos tempos? Meses? Anos? Talvez nem na Baixa vivam, raramente aqui vêm. É indiscutível que o Mercado perdeu muita da sua dinâmica, há mais concorrência, e sobretudo, vive menos gente pela Baixa. Mas ele subsiste quase implacavelmente, subsistem aqueles que aqui vêm. O incrível não é que ainda há pessoas que vão ao Bolhão, mas sim, que apesar do estado de abandono a que foi votado o edifício, continue afluir gente ao mercado. Isso é o incrível. E está cheio! Mas desenganem-se, não são apenas velhos, há gente nova (como eu, que por aqui vivem agora), há turistas de máquina fotográfica e de sorriso estampado, há gente carregada de sacos. Há flores, fruta, peixe (e tanta diversidade), carne, pão, bom pão, uma variedade de produtos regionais que em nenhum outro sítio do Porto existe. O mercado é um elogio aos sentidos, um lugar absolutamente único. Em quantos sítios da Europa temos ainda a oportunidade de deambular por uma estrutura desta dimensão, com esta vida, com esta oferta de produtos, de cores, de cheiros, de sons? Está tudo lá, enquadrado magnficamente pela arquitectura de Correia da Silva. Mesmo assim abandonado, apoiado por andaimes, mantém o seu semblante de grandeza e dignidade.
Não me venham é dizer que a solução para tudo são shoppings, três no mesmo km2, é demais. Aprendamos com os erros dos outros. Nos anos 80 e 90, muitos mercados foram fechados por essa Europa fora e substituídos por shoppings. O Les Halles em Paris, é um exemplo, de muitos, de um projecto falhado que hoje espera uma solução.
A solução do Bolhão já lá está! O que é o bolhão senão um imenso mercado de produtos como se diz agora “biológicos”, regionais, naturais, único. Ponha-se também comércio relacionado com produtos regionais e de artesanato (tantas feiras de artesanato que por aí se fazem), de vinhos (vinho do porto), de gourmet, pequenos restaurantes específicos com belas esplanadas lá dentro, de pequenas lojas vocacionadas para turistas. Manter essa aura específica e atraente do Bolhão mas dotá-lo de novas valências que atraiam um novo público é isso que o Mercado precisa. Transformá-lo em shopping pode ser a solução mais rentável directamente, mas imaginem as possibilidade que se perdem. Valerá a pena? Qualquer turista irá franzir o olho, quando lhe disserem que o mercado vai ser um shopping, que vai ter uma cobertura, mais um piso intermédio, dois maravilhosos pisos de estacionamento (mais carros para a cidade) que o cheiro das especiarias e das flores que ainda subsiste pelo ar vai ser substituído pelo odor apetitoso de um hamburguer com batatas.
*Pedro Bismarck [opozine]
PS. Relativamente ao site da TramCrone. Quando se estuda arquitectura é nos ensinado a ler nas imagens os conceitos, a compreender nas apresentações as ideias que estão por trás. O site da TCN (e aconselho talvez a ver outros sites de arquitectos e outras empresas para perceber a diferença) para além das questões de gosto, não mostra nada, não explica o projecto, apresenta três ideias banais, com umas imagens e uns esquemas que já serviram para mil um projectos. A questão é que a TCN promove empreendimentos novos para áreas periféricas e o Bolhão não é um projecto novo, é uma reabilitação. E isso é que preocupa, porque estamos bem no centro da cidade num edifício marco-indiferenciável da cidade e nao a construir o outlet de Grijó ou a Exponor XXI. E essa é a diferença fundamental.
PS. Hoje, às 20h30 em frente à câmara municipal do Porto, manifestação contra a demolição parcial e conversão do mercado do bolhão num shopping. Mas também, a favor de uma política de reabilitação urbana mais transparente, crítica e comprometida e não à revelia dos cidadãos.
Mais informações aqui:
#manifesto bolhão
Mais discussão e pontos de vista
# a baixa do porto
# se o bolhão falasse (um texto do arq. Correia Fernandes no jornal de notícias)
#TramCrone (a empresa promotora)
#SRU

